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Pão é um alimento elaborado com farinha, geralmente de trigo, água e sal, com ou sem levedura - fermento, formando uma massa com consistência elástica que permite várias formas.
Foi produzido pela primeira vez, período
mesolítico, por povos que habitavam a região onde agora é a Suíça, aldeias palafitas, por volta do ano 10.000 a.C.
e, em 9.000 a.C., período neolítico, já se tem achados
arqueológicos de pedras moldadas para triturar grãos.
Mencionados por Hecateu de Mileto, os egípcios foram "o povo comedor de pão".
Lá o pão pagava até salários: camponeses ganhavam três pães e
dois cântaros de cerveja por dia de trabalho. Os gregos chamavam os egípcios de "arthophagoi",
que significa "comedores de pão".
Em 3.500 a.C., em Tebas, no Egíto, em tumbas de
reis, se encontraram
cestas com pães. O sistema de fabricação dos egípcios era muito simples e foram mostrados em pinturas encontradas sobre tumbas de reis que viveram por volta de 2.500 a.C.
Atribui-se, também aos egípcios, Suméria,
parte sul da Mesopotâmia, o Iráque da atualidade, a modelagem de
pedras cilíndricas para moer cereais,
3.000 / 2.900 a.C., a criação do primeiro forno de assar pães,
e é feito, também, o descobrimento da fermentação - levedação.
As vantagens da fermentação - levedação e o consumo do pão mais semelhante ao que comemos hoje, era utilizada pelos egípcios há
3.000 anos a.C.
A fermentação - levedação, do ponto de vista atual e bioquímico, é um processo anaeróbio de transformação de uma substância em outra, produzida a partir de microorganismos biológicos naturais, tais como bactérias e fungos, chamados nesses casos de fermentos ou leveduras. A levedura - fermento, Saccharomyces cerevisiae, é natural, biológica e não é transgênica. É utilizada como modelo no estudo da Bioquímica, Genética e Biologia Celular de Eucariotos,
pois pertence ao grupo dos fungos. Fungo composto de minúsculas
células tipo vegetais similares às bactérias. É de fácil manutenção em laboratório e o conhecimento biológico sobre ela é bem desenvolvido, seu genoma já está
seqüenciado.
Elas fazem crescer o pão, transformam suco de uva em vinho e em vinagre, fermentam a cevada para produzir cerveja,
produzem ácido acético e azedam o leite produzindo ácido láctico, daí o iogurte e a coalhada.
As enzimas invertase e zimase transformam açúcar em álcool e gás
carbônico. Células do corpo humano produzem enzimas digestivas, como pepsina e renina que transformam comida em uma forma solúvel
de alimento.
É fonte de alto teor protéico, porém, ao contrário das fontes de proteína animal, tem a vantagem de não possuir gorduras e ainda contém vitaminas do complexo B, ergosterol, excelente fonte de vitamina D e, minerais como potássio, cromo e ferro.
No caso da massa do pão, os fermentos - leveduras consomem amido, digerindo o açúcar da massa, liberando CO2 - Gás Carbônico, que aumenta o volume da massa, alveolando internamente o pão, fazendo-o fofo.
Existem fermentos - leveduras, processo tipicamente artesanal, o mesmo
descoberto pelos egípcios em 3.000 a.C., que se chamam hoje,
fabricação do "Chefe" - "Levain de tout point", desenvolvidos a partir das próprias
massas de pão envelhecidas e ou farinhas, tendo ou não o
acréscimo de frutas e ou leguminosas, a ele misturadas. Persistem às condições atuais e tem processo delicado
e
sensível. Pedem tempo de levedação maior e quantidades maiores
de levedura em comparação com o saccharomyces cerevisiae, seja
fresco ou seco.
Esta técnica praticamente foi a única usada até
o século XIX. Existem ainda hoje aficionados e gourmets que a adote, pois o
produto final depois de assado, tem sabor característico e incomparável e
pode ter uma durabilidade que varia de 3 a 10 dias, dependendo da
temperatura e umidade do ambiente em que se encontra. Isto se
deve basicamente à glicerina, que se origina neste processo de
levedação natural e que funciona, neste caso, como um
emulsificante natural, possuindo efeito anti-mofo,
característica de maior durabilidade e conservação, além de
acrescentar sabor sutil. Bem, o pão também teve sua história na Grécia e em Roma.
Na Grécia, 250 a.C., ocorreu praticamente na mesma época que no Egito, mas foi lá que o pão passa a fazer parte da história da alimentação e da gastronomia, ao se acrescentar ervas e grãos, inteiros ou moídos, aromatizantes, à sua massa; de lá veio o primeiro padeiro de que se tem notícia e também, o início do acréscimo do levedo à base de lúpulo, cereal utilizado na fabricação da cerveja. Pode-se dizer que os gregos participaram, ainda que involuntariamente, da famosa política romana do "Panem et Circenses", Pão e Circo, criada para acalmar o ânimo da população e a consciência dos governantes.
As padarias, hoje panificadoras, surgiram por volta de 4.000 a.C., também em Jerusalém, após o contato com os egípcios, com quem aprenderam a fabricação e obtiveram as receitas. Pouco tempo depois, já existia na cidade uma famosa rua de padeiros. Em Roma, 500 a.C., foi criada a primeira escola para padeiros e confeiteiros.
Por volta de 100 / 140 a.C, os romanos melhoraram o processo de
moagem e, como resultado disto, foram os primeiros a produzir pão
branco. Conheciam já 70 variedades de receitas de pão. Antes
disto, somente fazia-se pães escuros, de grãos integrais. Roma possuíam mais de 200 padarias comerciais.
Nos
século IX e X, criaram-se os primeiros moinhos movidos a vento, "mulinos",
e também, os primeiros à roda d'água.
Até o século XIX o pão foi a base da alimentação do homem. No entanto, foi em 1305 que os governantes perceberam que para vender o produto seria necessário um comerciante. O rei da França, Don
Luiz, resolveu então organizar ali, "o negócio", autorizando o "tamisier", peneireiro ou aquele que usava o tamis ou peneira para coar farinhas, a assar e vender o pão. Nasciam, as "boulangeries" parisienses, padarias, e o ancestral do moderno "boulanger", padeiro.
Nesta época a França já contava com 20 variedades de pães.
Em 1372, Carlos V determinou que os padeiros franceses só poderiam produzir três tipos de pães e três tipos de peneiração de farinha. Tabelou o preço e exigiu que o peso fosse vigiado pelos inspetores da Prefeitura de Paris. Uma vez por mês, obrigava o "boulanger" a entregar uma amostra de pão para analisar sua composição e peso. 
Às vésperas da Revolução Francesa, Maria Antonieta, rainha da França, foi informada de que o povo passava fome: “Eles não têm pão, Alteza”. Ao que ela respondeu: “Se não tem pão, que comam brioches”. Não se sabe se o diálogo realmente aconteceu, mas a frase, de fato, ficou famosa. Já a rainha teve a cabeça cortada na guilhotina!
Depois de utilizada pelos Gregos, a levedura - fermento, de cerveja, voltou a aparecer em 1665 em Paris. O pão se tornou mais leve e a massa mais fofa. A rainha Maria de Médicis aprovou o resultado e se tornou fã fervorosa do novo pão. Alguns meses mais tarde, porém, médicos franceses proibiram o uso da levedura de cerveja na fabricação do pão, alegando ser prejudicial à saúde.
Nos Estados Unidos da América - EUA, século
XVIII, é construído o maior moinho então já feito, 7 (sete)
andares, para o refino de farinha de trigo.
Somente no século XIX a levedura de cerveja foi reabilitada.
Aparece, neste século, o primeiro fogão cilíndrico de ferro,
facilitando a produção doméstica de pão e em 1850 o primeiro
forno contínuo para padarias, na Grã-Bretanha.
Em 1812, Delessert, que concretizava a extração
industrial do açúcar da beterraba, oferece a Napoleão I, o
primeiro pão doce, com açúcar de beterraba.
Ainda, Louis Pasteur prova que a fermentação natural era
causada por organismos vivos, processo que ajudou na elaboração
industrial do fermento - levedura. Em 1865 é fabricado o primeiro fermento prensado; antes só existia sobe a forma de creme, um dos tipos utilizado hoje, fresco.
No século XX aparece o fermento - levedura biológica
e natural à base de melaço da cana-de-açúcar.
O aparecimento da máquina ocorre, também, no século XIX, com amassadeiras e batedeiras, hidráulicas ou manuais, com um custo muito alto e também com grande rejeição. Os consumidores mostraram-se hostis com o pão sendo feito mecanicamente. Pouco tempo depois surge o motor elétrico e a reclamação passa a ser dos padeiros. Cada máquina substituía dois padeiros. Foi nesta época que o pão chega ao Brasil
e em 1835 começa a funcionar no Rio de Janeiro o primeiro
estabelecimento vendendo pão de trigo.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que as pessoas comam 60 quilos de pão por ano,
ou seja, 165 gramas de pão por dia. O País que mais come pão é o Marrocos, sendo que em média se come 100 quilos ao ano por pessoa. O País que mais se aproxima do ideal é o Uruguai, comendo em média 55 quilos por ano por pessoa.
Na Europa, passou a ser costume, as mães
darem para as filhas que se casavam, um pouco de sua própria
massa de pão, por achar que assim, elas fariam um pão tão
gostoso quanto o delas!
Ao longo da história, a posição social de uma pessoa podia ser discernida pela cor do pão que ela consumia. Pão escuro representava baixa posição social, enquanto pão branco, alta posição social. É porque o processo de refino da farinha branca era muito mais caro. Atualmente, ocorre o contrário: os pães escuros são mais caros e, por vezes, mais apreciados por causa de seu alto valor nutritivo.
Com a chegada do Cristianismo, o pão, alimento essencial ao corpo, transforma-se em símbolo da vida. O menino nascido em Belém, casa do pão em hebreu, anuncia milagres e realiza o mais celebre deles: a multiplicação dos pães. Com sua morte e a fundação da Igreja, institui-se o ritual da Eucaristia, em que o pão representa o corpo de Cristo. Na oração do “Pai-nosso” é pedido a Deus “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
Os
judeus, só oferecem a Deus o pão ázimo, matzot (ídiche), mátza (hebráico), basicamente, farinha
e água, sem fermento - levedura (chametz) ou outros ingredientes. Até hoje, esse é o pão que eles comem na
páscoa judáica (Pessach) ou
festa dos pães ázimos (Hag ha-matzot), época em que é proibido consumir qualquer alimento fermentado - levedado.
À esta mistura básica: farinha e água, na
culinária moderna, tanto ocidental quanto oriental, pode-se acrescentar vários outros ingredientes e recheios: desde outras farinhas, a sementes, grãos, gorduras, especiarias,
sal, açúcar, mel, passando por carnes de preferência curadas, queijos, ovos, chocolate, frutas
naturais, secas ou cristalizadas, etc., originando-se um repertório quase infinito de outros pães, bolos, muffins e tortas. Daí, as quatro etapas para se fazer pães: 1
- Escolha, pesagem e mistura dos ingredientes e definir formato
a ser dado aos pães - "Frasage"; 2 - Bater, sovar, beliscar
e alongar, dobrando sobre si, a massa, para
oxigená-la - "Pinçage e Oxygénation"; 3 - Levedá-la pela primeira e ou
segunda vez,
no tempo correto e após, cortar e formatar os pães - "Découpage
e Façonnage", e; 4 -
Levedar os pães nas fôrmas, pela segunda e ou uma terceira
vez, levá-los a assar na temperatura ideal,
pelo tempo necessário,
resfriá-los e descansá-los fora da fôrma, sobre uma grade
ou cesto,
para arejá-los - "Pousse e Cuisson". O pão estará assado quando ao se bater sobre ele
ou em seu fundo,
ouvir sons surdos, ocos.
E ainda, se quiser pães mais leves e alveolados,
fofos, acrescente a levedura - fermento, mas note: se o pão for
integral (que é bem mais nutritivo), quanto maior o teor de farinha integral, menos alveolado e leve ficará o pão; pouco glúten
em ação; uma característica
importante de se observar, é a farinha de trigo refinada
especial branca que tem alto teor de glúten, ou seja: quanto
maior e mais fofo, mais farinha branca refinada especial o pão
terá.
O Museu do Pão, em Seia, Portugal, é um museu privado onde se exibem e preservam as tradições, história e arte do pão português.
Independentemente dos relatos e da história,
"O Pão" é nosso primeiro alimento do dia. Melhor
ingeri-lo nutritivo e saboroso, slow food, com vagar deliberativo, apreciativo e degustativo e, de preferência, naturais, integrais e artesanais. Contribuirão significativamente para a manutenção do equilíbrio da sua saúde e da sua vida.
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